EM FOCO

Saúde

Indicadores sobre pré-natal, mortalidade e imunização revelam a qualidade do cuidado desde a gestação

Saúde

Um olhar sobre a saúde: avanços no acesso, desafios na qualidade e equidade

O Brasil expandiu a cobertura da sua rede de atenção básica para a primeira infância, mas a saúde e o bem-estar materno-infantil ainda esbarram na qualidade do atendimento e em profundas desigualdades

Imagem ilustrativa Imagem ilustrativa Crédito: Sumaia Villela/Agência Brasil

A saúde é um dos pilares do desenvolvimento pleno na primeira infância. Durante os primeiros seis anos de vida, o corpo e o cérebro se formam em ritmo acelerado, e o acesso à saúde desde a gestação, ao parto seguro, às consultas com o pediatra e às vacinas impacta diretamente o desenvolvimento de bebês e crianças.

O Brasil investiu, nas últimas décadas, em ampliar o acesso a serviços e programas de saúde para gestantes e crianças. Os avanços são inúmeros, mas os dados também mostram onde ainda é preciso caminhar: a maior parte das mortes de bebês poderia ser evitada, o baixo peso ao nascer tem crescido e uma parcela das crianças ainda não recebe todas as vacinas do calendário nacional.

Melhorar esses indicadores exige fortalecer a saúde pública e também um olhar intersetorial para as políticas públicas. Renda, alimentação, moradia e proteção social influenciam diretamente a saúde materno-infantil, o que demanda ação integrada e atenta às desigualdades regionais e raciais que atingem sobretudo as mulheres negras, indígenas e as famílias das regiões mais pobres do país.

Para compreender o cenário da saúde materno-infantil no Brasil, podemos observar três indicadores:

Mortalidade infantil

O peso das mortes evitáveis

Brasil 66%

das mortes de bebês no país poderiam ser evitadas

O número de óbitos de bebês brasileiros de até 1 ano oscilou nos últimos anos, mas estacionou acima de 30 mil mortes. O aspecto central está na natureza dessas perdas. A curva de mortalidade por causas evitáveis andou junto à mortalidade total sem apresentar melhoras: 66% das mortes em 2024 poderiam ter sido evitadas. Isso representa quase 20 mil óbitos causados por condições como diarreia, pneumonia e desnutrição, que seriam evitáveis por meio do acompanhamento adequado desde a primeira semana de vida, oferecendo diagnósticos precoces e um olhar atento às desigualdades no acesso ao serviço de saúde.

Número total de óbitos infantis e por causas evitáveis

Óbitos infantis ao nascer, total
Óbitos infantis ao nascer, por causas evitáveis
Ícone sobre as localidades
Explore este e outros indicadores no território nacional ou em seu estado ou município
Imagem ilustrativa da área
Acompanhamento da gestação

Nascer com saúde, uma promessa ainda desigual

Brasil 9%

dos bebês brasileiros nascem com baixo peso

O cuidado com a gestação é um dos primeiros passos para garantir o desenvolvimento saudável na primeira infância. O Brasil avançou de forma consistente no acesso ao pré-natal, por exemplo, mas a taxa de nascimentos com baixo peso (abaixo de 2,5 kg) tem crescido. Ampliar o acesso não bastou: é preciso avançar na qualidade dos serviços e também reconhecer que a resposta não cabe apenas à saúde. Renda, alimentação e moradia são alguns dos fatores que também afetam esse indicador, o que exige uma ação intersetorial atenta às desigualdades que atingem sobretudo as mulheres negras, indígenas e das regiões mais pobres do país.

Percentual de gestantes com 7 ou mais consultas de pré-natal e de nascidos vivos com baixo peso

Gestantes com 7 ou mais consultas de pré-natal, %
Nascimentos registrados como baixo peso, %
Ícone sobre as localidades
Explore este e outros indicadores no território nacional ou em seu estado ou município
Imagem ilustrativa da área

Crédito: Ministério da Saúde

Imunização

O ciclo que não se completa

Brasil 22%

das crianças brasileiras não completam o ciclo da vacinação com a 2ª dose da tríplice viral

A imunização infantil é uma estratégia fundamental para prevenir doenças. Ainda assim, persistem lacunas preocupantes na cobertura vacinal das crianças brasileiras. Na aplicação da vacina tríplice viral, que imuniza contra o sarampo, caxumba e rubéola, a adesão é alta na 1ª dose (92%), mas cai de forma expressiva na 2ª dose (78%). Isso significa que um quinto das crianças está sem a dose de reforço e com o esquema de vacinação incompleto.

Cobertura vacinal infantil

Fração de crianças vacinadas sobre o número de nascidos vivos do ano corrente, %
Ícone sobre as localidades
Explore este e outros indicadores no território nacional ou em seu estado ou município
Linha

Publicações relevantes

Para aprofundar os temas tratados nesta página, reunimos abaixo guias, pesquisas e materiais sobre saúde na primeira infância - do pré-natal à vacinação, dos cuidados primários às desigualdades que marcam o começo da vida no Brasil.

Imagem ilustrativa da publicação

Primeira Infância no Município: saúde desde a gestação

Guia com estratégias para fortalecer a atenção em saúde para gestantes e crianças de 0 a 6 anos

Leia mais
Imagem ilustrativa da publicação

Estratégia Saúde da Família e Desenvolvimento Infantil

Artigo do NCPI examina relações entre o sistema de saúde público no Brasil e a mortalidade infantil.

Leia mais
Imagem ilustrativa da publicação

Anuário VacinaBR 2025: cobertura vacinal no Brasil

Relatório traz indicadores consolidados da vacinação infantil no país desde os anos 2000.

Leia mais
Imagem ilustrativa da publicação

Quanto mais cedo, maior: os cuidados no pré-natal

Episódio da série apresentada por Drauzio Varella sobre a importância do acompanhamento durante a gestação.

Leia mais
Veja mais

Selecione um município para visualizar os dados

Faça o download com todos os dados

Para concluir o download, preencha os dados a seguir:

Campos marcados com * são obrigatórios.